Édipo - do destino não se pode fugir *



Corpos que se entrelaçam, pele, sexo, volúpia, desejo. E o palco pega fogo! Mas se a paixão for demais, se os personagens forem arrebatadas do chão: Água!
De fogo e água é feito o espetáculo “Édipo”, do diretor Hugo Rodas. Uma releitura de “Édipo Rei”, de Sófocles. Em cena, e com ótimas atuações, estão os atores Adriana Veloso e Thiago Benetti, da Cia. Benedita de Teatro.
Só para conhecer a famosa tragédia que conta a história de incesto entre mãe e filho valeria a pena assistir. Mas quem comparece ao teatro ganha mais que uma história bem narrada.
“Édipo” começa com o programa de TV da Esfinge. Essa mesmo, aquela que irá lançar o enigma que abrirá as portas de Tebas para que o herói entre no reino e se case com a rainha viúva. E no show da Esfinge, o finalista é ninguém mais, ninguém menos que o próprio Édipo.
Assim que vence o programa, ele se casa com a rainha Jocasta. Não sem antes surgirem questionamentos como: "Você se casaria com uma mulher bem mais velha que você?", "Você se casaria com um homem bem mais novo que você?"...
"E você, seria capaz de me amar?"
Perguntas que ecoam na platéia sem resposta...
Juntos, Jocasta e Édipo vivem anos felizes. Poemas sussurrados ao ouvido enquanto fazem amor.
Mas como é do destino do casal e do destino não se pode fugir, um dia se descobrem incestuosos. Fogo no palco movido pela paixão e o desejo. Logo depois, água. Água nos sonhos e planos.
E se descobrem, assim, como joguetes na mão de alguém maior. Marionetes nas mãos do destino que brinca com o rei e a rainha de um tabuleiro de xadrez.

* Essa crítica foi escrita em agosto de 2008, quando assisti "Édipo" pela primeira vez com a Cia. Benedita.

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    Goiânia, Goiás, Brazil
    Jornalista por formação, especialista em Filosofia da Arte. Trabalho em TV, mas sempre ligada ao Jornalismo Cultural, com ênfase em Teatro e Cinema.

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