Conversas fílmicas - Parte 6

Cinema Paradiso



Por José Aurélio Mendes

Como falam palavrão esses italianos. O protagonista, mesmo aos seis anos já sabe pronunciar pelo menos meia dúzia deles com total ênfase e naturalidade. Aliás, a gente fica em dúvida se os palavrões são mesmo ofensas ou se são usados no lugar das vírgulas nas frases. Mas, apesar de cômico, isso não é o mais interessante desse longa metragem estrangeiro. "Cinema Paradiso" é na verdade um filme bonito e que merece todos os elogios. Ele conta a história de um garoto pobre, mas muito inteligente que é fascinado por cinema. Tudo se passa lá pelos anos cinquenta, quando nem existia a TV e as salas de projeção eram a principal novidade no ramo do entretenimento. Totó, como era chamado o garoto, atentava sem piedade o projetista cujo nome agora não me lembro. No começo ele detestava o menino. Mas aos poucos foi cedendo aos encantos da criança, que só queria estar perto dele quando os filmes eram exibidos. O enredo mostra o dia a dia de uma pequena e pobre cidade, com seus moradores ilustres ou não, cuja rotina se identifica em maior ou menor intensidade à de qualquer um de nós. Até o próprio Totó nos retrata de certa forma em nossa inocência enquanto crianças, nas traquinagens, dramas familiares, nas nossas paixões adolescentes, em nossas amizades, oportunidades perdidas e decisões difíceis. Com muita simplicidade e sutileza o diretor nos comove ao mostrar as memórias de um homem que deixou pra trás toda uma vida para cumprir a promessa feita a um amigo que nunca mais o viu. Voltar à cidade natal para enterrar esse amigo, desenterra tais memórias e deixa fluir muita emoção. Gostei muito do filme e recomendo. E, a propósito, o nome do projetista é Alfredo.

Comentários Mayara Vila Boa:
Realmente "Cinema Paradiso" é um filme lindo e que não pode faltar na lista de qualquer cinéfilo. É a história de uma paixão, a paixão pelo cinema, essa arte que empolga e é capaz de arrebatar multidões com seus dramas e personagens. Essa arte que nos faz rir e chorar e que nos expõe a possibilidade de uma outra vida, nem que seja por 120 minutos.
"Cinema Paradiso" tem passagens memoráveis como a do padre do vilarejo assistindo o filme e mandando cortar todas as cenas de beijo por considerá-las indecentes. Tem também a amizade incondicional do pequeno Totó por Alfredo ao salvá-lo do incêndio que destrói o cinema. Isso sem falar na malandragem do menino que, para convencer o projetista a ensinar-lhe o ofício, negocia com ele a cola na prova do mobral.
Esse longa também fala daqueles que saem de sua terra natal e que ao voltar, já não se encontram mais, mesmo com tantos conhecidos (que agora talvez não sejam tão conhecidos assim). Conta a história de pessoas que buscam o sonho em outro lugar e que ao voltar para casa encontram apenas lembranças.
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    Goiânia, Goiás, Brazil
    Jornalista por formação, especialista em Filosofia da Arte. Trabalho em TV, mas sempre ligada ao Jornalismo Cultural, com ênfase em Teatro e Cinema.

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