Diário de um louco – da inferiorização à loucura



Alexander Ivanovich é um aparador de penas solitário e cansado. Trabalha em uma repartição e gosta de pensar no que é que o chefe pensa. Mas o que ele gosta mesmo é da filha do chefe. Pena que o sentimento não seja correspondido.
Com o tempo o trabalhador vai se sentindo cada vez mais inferiorizado e isso o leva à loucura. Primeiro ele começa a conversar com a cadela da filha do chefe, depois ele consegue ler até mesmo uma carta escrita pelo animal em que ela conta como a dona o despreza e que vai casar com outro. E finalmente ele acredita que é o rei da Amazônia.
Esse é o enredo da peça “Diário de um louco”, da Cia. de Teatro Novo Ato, monólogo interpretado por Luiz Cláudio e dirigido por Marília Ribeiro. O texto é baseado na peça homônima de Nicolai Gogol.
Luiz Cláudio interpreta muito bem o louco. Às vezes trágico, às vezes cômico em sua demência. Ele vai progressivamente enlouquecendo, de uma leve suspeita de que pode conversar com animais até acreditar piamente que é o rei da Amazônia. Cada vez mais alucinado e sem razão.
Figurino e cenário também estão acertados. O cenário é composto de vários elementos que deixam transparecer a pobreza de tudo ali, móveis velhos e desgastados e aparelhos eletroeletrôncios estragados, que são quebrados num acesso de fúria do personagem. E ao mesmo tempo em que o personagem vai enlouquecendo, o figurino vai se adequando a nova realidade. Antes as roupas alinhas de Alexander vão se rasgando e ele nem percebe.
A trilha sonora e a voz off dão o tom da loucura do personagem. Guiando-o na aventura pela própria mente.
Mas o final deixa a desejar. No momento máximo da tensão, do drama do personagem resolve-se fazer gracejos para o público. “Diário de um louco” perde a oportunidade de fazer um belo final com a eletrocussão de Alexander para que ele interaja com a platéia pedindo que alguém aperte um controle remoto que irá detonar a ação. Isso sem contar que ele para inúmeras vezes de “morrer” para dizer que ainda não está pronto.

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    Goiânia, Goiás, Brazil
    Jornalista por formação, especialista em Filosofia da Arte. Trabalho em TV, mas sempre ligada ao Jornalismo Cultural, com ênfase em Teatro e Cinema.

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