A história de Goiás debaixo da lona do picadeiro



Muitas crianças e adultos esperavam ansiosos pelo espetáculo. Como seria a história de Goiás contada dentro do circo?
E foi como deveria ser: com muita palhaçada, malabarismos, piruetas, música e é claro alegria. Os jovens que fazem parte do Circo Lahetô contaram a história do nosso Estado por meio de números circenses.
Os palhaços são o elo de ligação entre Goiás caipira e Goiás Country. O estado que dança catira, que tem coronéis, roça e moças na janela em contraponto com aquele que tem trânsito congestionado, que dança country e é moderno.
A apresentação começa com tochas de fogo. Bolas de fogo são sopradas na direção da platéia. As crianças gritam muito. E os gritos misturados com a escuridão, que é cortada pelo fogo, deixa a cena emocionante.
Depois entram os índios, nossos primeiros moradores. Pequenas crianças com grandes pernas de pau representam como esses povos viviam até a chegada do homem branco.
O encontro dos portugueses com os nativos é marcado pela violência. Correria no picadeiro. Cambalhotas, piruetas e saltos para escapar do inimigo. Mas ao final, as armas vencem e os índios são mortos.
A parte de mágica fica à cargo do Anhanguera. Esse mesmo, o Diabo Velho, que colocou fogo na cachaça e falou que era água para amedrontar os índios. O Anhanguera é assustador. Alto (também usa perna de pau), magro, com uma roupa cinza e barbudo.
E assim vamos percorrendo os tempos. As fazendas, as plantações, a vida do homem do campo. E de repente, os milhos da roça se tornam objetos para malabares. As árvores são meninas que se equilibram em uma pequena tábua sobre cilindros.
Uma das partes mais bonitas e meigas é a das meninas trapezistas. São três artistas que representam as namoradeiras das janelas dos casarões antigos. Elas bailam no ar enquanto os rapazes as observam e as cortejam no chão.
Goiás dos coronéis (número de palhaços) e dos meninos criados soltos (número de tecido acrobático). E, enfim, Goiás da modernidade. O transito caótico é representado pelos monociclos. Monociclos de todos os tamanhos. E ao final, a catira na perna de pau.
Vinte e dois artistas compõem o espetáculo. Amadores e profissionais unidos para levar ao público um pouco de nossa história no espetáculo que se chama “História de Goiás no Picadeiro”, com direção geral de Maneco Maracá.
Um jeito divertido de conhecer um pouco mais a nossa origem. Se espetáculos pudessem ser colocados em caixinhas e dados de presente, com certeza eu ofertaria “História de Goiás no Picadeiro” pra muita gente por aí.

Esse texto foi escrito quando o espetáculo estreou, em abril de 2009.

Para quem se interessou e quer assistir História de Goiás no Picadeiro:
Data: 20 e 21 de maio de 2010
Horário: 20h
Local: Circo Laheto
Endereço: Av. H, esq. c/ 72 (Parque da Criança) - Jardim Goiás

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    Goiânia, Goiás, Brazil
    Jornalista por formação, especialista em Filosofia da Arte. Trabalho em TV, mas sempre ligada ao Jornalismo Cultural, com ênfase em Teatro e Cinema.

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