Conversas Fílmicas - Parte 3

O encantador de cavalos



“O encantador de cavalos” (The Horse Whisperer, 1998) conta a história de uma adolescente, Grace, e seu cavalo, ambos traumatizados depois de um grave acidente. Para ajudá-los só alguém muito especial que entenda a alma dos bichos, um verdadeiro encantador de animais, que no caso é um rancheiro de Montana chamado Tom.

O filme é uma história de superação. Leve, bem no estilo Sessão da Tarde, mostra como a força de vontade e muito trabalho podem dar bons resultados.

Mas nesse texto quero deixar um pouco de lado o eixo central da história, que é a adolescente e o cavalo, e falar um pouco sobre a mãe dela, Annie. Ela é uma mulher voltada totalmente para o trabalho. Editora de uma grande revista, Annie não tem tempo para a família, a presença do marido lhe é quase que indispensável.

Até o acidente com a filha, ela vive na zona de conforto de um casamento morno. Mas depois da tragédia em que a perna da menina é amputada, a mãe decide levar Grace até Montana, para que Tom possa ver o cavalo, que fica com sequelas emocionais. Num rancho bem longe da agitada Nova York, a cultura diferente e o estilo de vida mais pacato fazem com que Annie repense a vida, tanto que quando ela é despedida por telefone isso já não faz mais tanta diferença.

Aos poucos vamos vendo a transformação da mulher da cidade. Ela ajuda a vacinar o gado, monta, lida com o rebanho e até mesmo cozinha. Mas a maior transformação está em como ela começa a perceber Tom. Aos poucos ela se dá conta de que ele não é um simples rancheiro. Ele é um homem sábio, que aprendeu a linguagem dos animais, que aprendeu a se comunicar com longos silêncios e que também já viveu na cidade grande.

Annie e Tom se envolvem, mas o marido dela aparece para uma visita inesperada. A ex-editora trata o marido com frieza, até que ele pede para que ela só volte para casa se realmente tiver certeza de que o ama o suficiente para continuar o casamento. Ela tem a deixa que precisava para ficar com Tom e mesmo assim a última cena é Annie indo embora. Talvez ela vá para todo o sempre, talvez ela volte, fica a pergunta no ar. Provavelmente seja difícil demais largar tudo para trás e recomeçar em outro lugar.


Comentários José Aurélio:

Sinceramente esperava que você fosse gostar um pouco mais do filme. Mas, como já faz anos que eu o vi, talvez ele possa ter sido muito bom pra mim naquela época ou porque me identifiquei muito com o Tom. Bom, agora as águas turvas do tempo, sob as quais nossas memórias já submergiram, não nos darão uma visão completa desses fatores.

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    Jornalista por formação, especialista em Filosofia da Arte. Trabalho em TV, mas sempre ligada ao Jornalismo Cultural, com ênfase em Teatro e Cinema.

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