O Trabalho do Crítico II

"De que serve a crítica? Entre outras coisas, serve de ponte entre o público e o novo, mas mesmo no caso do não novo a crítica serve também para explicitar, para colaborar com a identificação de qualidades: se cada leitor mesmo de uma crítica jornalística fizer seu debate pessoal com o que foi dito -- sabendo que não há obrigatoriedade nem de concordar e nem de discordar com o crítico -- ele vai esclarecer para si mesmo as razões do seu gostei ou não gostei, e com isso tornar-se um espectador mais preparado. É claro que o espectador mais preparado se transforma, igualmente, no espectador mais exigente: mas só um público mais preparado, mais conhecedor das regras do jogo, permite a apresentação de um repertório mais complexo, mais ambicioso ou, no sentido verdadeiro do termo, mais experimental. Conhecer as regras do jogo é crucial para a apreciação mais consciente do trabalho realizado: deixando um momento o teatro de lado, pensem um pouco em termos de público de futebol; por um lado, é claro, saber as regras faz o bom jogo ter muito público e a pelada não. Será que para o teatro não seria também bom garantir o sucesso do bom jogo e o fracasso da pelada? A perspectiva de um bom público para um espetáculo de categoria é significativa até mesmo por proporcionar ao ator a oportunidade de um trabalho prazeroso em uma montagem de qualidade."

Bárbara Heliodora, em O Trabalho do Crítico (www.barbaraheliodora.com)
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    Goiânia, Goiás, Brazil
    Jornalista por formação, especialista em Filosofia da Arte. Trabalho em TV, mas sempre ligada ao Jornalismo Cultural, com ênfase em Teatro e Cinema.

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