Conversas Fílmicas – Parte 1 (Miami Vice)



Como primeira missão tive que assistir “Miami Vice” (Miami Vice, 2006). Usando uma frase do policial Rico (Jamie Foxx) para definir o filme: “Mostrar distintivo, empunhar a arma e efetuar prisão. É isso o que fazemos”. Pelo menos à primeira vista.
Indo um pouquinho mais ao fundo pode-se ver mais do que violência, tiros, mortos e feridos. Há o romance entre o policial Sonny (Colin Farrell) e a criminosa Isabella (Gang Li), o que deixa o filme ainda mais atraente, já que a todo momento fica no ar aquela dúvida: quando ela vai descobrir que ele é um policial infiltrado no narcotráfico? E a todo momento vemos o envolvimento dele com Isabella aumentar.
O começo do filme é fraco e auto-explicativo. Toda aquelas cenas iniciais para explicar a razão de Rico e Sonny se infiltrarem no tráfico poderiam ter entrado por meio de flashbacks logo depois que a ação realmente começa (depois que Isabella leva Sonny para Havana).
E falando em Havana, as sequências de Cuba são a parte mais bonita do filme. Lá as cores são mais vibrantes. O café da manhã dos personagens num bar é lindo, com uma paisagem iluminada que teima em aparecer pela porta do local.
A cena em que os dois andam de lancha também é muito bonita, com o barco desenhando uma grande linha branca em meio ao oceano azul escuro que faz divisa com o azul já quase noite do céu.
Uma brincadeira engraçada e que pode passar quase desapercebida é quando Isabella e Sonny estão conversando sobre mudar de vida. E ela diz que é impossível, já que tudo é controlado por Jesus. Longe de ser Jesus Cristo, é Jesus Montoya, o chefe do narcotráfico. Pois é, estamos num mundo controlado por bandidos.
Há coisas apelativas e desnecessários no filme, como mostrar os buracos de balas nos mortos ou a cena de sexo entre Rico e a namorada. Sem uma razão concreta para existirem a não ser, é claro, chamar a atenção do expectador.
Mas queria mesmo entender nesse tipo de filme duas coisas: Por que tem sempre dois parceiros e um deles é solteiro e o outro não? E porque os bandidos sempre pegam a mulher do outro como refém?
José Aurélio, consegue me responder?

Comentários José Aurélio:

“Belos comentários. Espero ter realmente agradado você com a sugestão. É um dos meus filmes favoritos. Quanto às suas perguntas, é claro que posso explicar. O lance do solteiro e do casado é pra gerar diálogo. Cada um com sua experiência proporciona mais riqueza em qualquer enredo. Já o lance de sequestrar a mulher do inimigo, é fácil. O psicológico masculino é previsível. Qual é a pior coisa, depois da castração, para qualquer homem? Ser traído ou ser incapaz de proteger a mulher. O bandido sabe disso e é baixo, joga sujo. Nada mais justo que sequestre a mulher do mocinho. Salvá-la depois é outro lance previsível e que sempre serve de desfecho bem sucedido pra filmes do tipo. As histórias são sempre as mesmas. O mérito do diretor e equipe é saber contá-la de modo diferente.
 Ah... buracos de bala na cabeça das pessoas, entre outras coisas, podem não parecer agradáveis à uma mulher. Mas são tempero indispensável na opinião de quase todo homem que se interessa pelo gênero. Cenas de sexo idem”.
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    Goiânia, Goiás, Brazil
    Jornalista por formação, especialista em Filosofia da Arte. Trabalho em TV, mas sempre ligada ao Jornalismo Cultural, com ênfase em Teatro e Cinema.

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