Luz, câmera, ação: com vocês, os alunos da UEG!

Ontem, dia sete de novembro, a Universidade Estadual de Goiás realizou a primeira Mostra Audiovisual. Foram exibidos onze vídeos feitos durante o ano de 2009 pelos estudantes. Uma ótima iniciativa para incentivar a produção estudantil e também para colocar à prova o que está sendo produzido na universidade. A seguir um pouco sobre os filmes:

“Neurose”, de Kaco Olímpio e Pedro Caixeta, é a história de uma mulher que tenta superar o medo de andar de elevador. Com ótima atuação de Adriana Veloso, o curta mostra o desespero da personagem, que imagina inúmeros problemas que podem acontecer ao pegar o elevador, como incêndio, ficar presa, superlotação.
O vídeo é bem construído, tem narrativa simples e bem executada. Destaque para a cena feita com câmera interna do elevador e também para as pessoas entrando vestidas de preto e com boca tapada com fita.

Como “Zelig”, de Wood Allen, “Eduardo ou Mônica”, de Raíza Martins, deixa no ar se é ou não um documentário. Mas longe de ser um “Zelig”, o curta apresenta seus problemas. A atuação do ator principal não é forte o suficiente para convencer o expectador de que ele realmente é um homoxessual que alterna a personalidade entre Eduardo e Mônica. O tom é afeminado e forçado. O filme é chatinho, assim como se descreve o personagem durante o curta. Mas, como diria o pai de Eduardo: “Eduardo, aquele pecado de Sodoma? Prefiro não falar disso!”

“A menina que colecionava gatos”, de Guilherme Gardini e Ana Lídia Oliveira, conta a história de uma garotinha e sua paixão por gatos. Tem uma fotografia muito bonita, a direção de arte é boa (o quarto da menina é lindo), mas a história é fraca, não há um grande atrativo, muito menos um clímax.

“Enquanto”, de Larissa Fernandes, é a história dos desencontros de Marina e Bento. Ela veio de São Paulo para conhecê-lo, mas um contratempo faz com que a jovem saia pela cidade sem ele. Belo retrato do centro de Goiânia, mostrando os prédios, os monumentos, as pessoas, as ruas. Coisas do nosso cotidiano que ganharam graça na tela. Às vezes eu me perguntava: Onde está a Goiânia tão bonita desse filme?
O final peca um pouco, com uma solução muito rápida para os jovens.

“Eu não caibo mais aqui”, de Benedito Ferreira, mostra o cotidiano de um homem que não cabe mais dentro dele mesmo. Sem palavras e com muitas cenas bonitas, ele faz bolinhas de sabão, é rodeado por balões enquanto está nu, come enquanto a porta da geladeira está aberta e deixa transparecer o grande tédio de ser ele mesmo. Tudo é muito bem traduzido na cena em que ele aparece na rua com uma casa de papelão na cabeça, como quem diz: cresci tanto que já não pertenço mais ao meu lugar.

“Deutschen erklaren 'das eines films”, de Bruno Lino, é uma ótima comédia. Trata-se de um vídeo caseiro que simula uma aula em alemão (falada no pior alemão inventado possível, para risos e mais risos da plateia) sobre pós-edição em cinema.

“Maria Grampinho, Suas Trouxas, Seus Botões, Seus Haveres”, de Maianí Gontijo e Verônica Brandão é o único documentário da mostra. Fala sobre Maria Grampinho, moradora da Cidade de Goiás e inquilina de Cora Coralina.
Uma ótima personagem que poderia ser ainda melhor explorada se não fossem as falas muito curtas e picotadas dos entrevistados intercaladas por uma música que não dura um segundo de sonora para sonora. Deve ter cuidado com a manipulação do zoom, para não ficar parecendo uma câmera nervosa. Bom o recurso de ter colocado o poema cantado que Cora Coralina fez para a personagem no final do documentário.

“Amor sem palavras”, deThiago Augusto, usa a linguagem do cinema mudo para falar sobre problemas de comunicação de um casal. A pantomima é exagerada.

“Campanha contra a homofobia”, de Kaisson Labre, é uma campanha institucional contra a homofobia. É bem filmada.

“Retrocesso”, de Kaco Olímpio, é um ótimo filme de um minuto que mostra a ação de um serial killer ao contrário. Dos tiros à entrada do assassino no colégio tudo muito dinâmico e interessante.

“Menino de Papel”, de Ana Lídia, é um plano sequência sobre um menino de papel. Na realidade tudo é feito de papel e muito, mas muito simples.


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6 Responses
  1. Maianí Tupi Says:

    Gostei muito da Crítica!!! Tomei a liberdade de envia-la para todos os participantes da Mostra. Espero que eles leiam e comentem. Obrigada. Maianí


  2. Inayá Damásio Says:

    Gostei muito do texto, serve como um detector de falhas para esses futuros profissionais que só têm a ganhar com críticas construtivas como essas. Muito interessante a iniciativa da UEG, dando oportunidades aos estudantes de serem conhecidos pelo mercado enquanto ainda acadêmicos. E como moradora da cidade de Goiás fico feliz vendo nossos valores e cultura ainda vivos através do documentário de Maianí Gontijo e Verônica Brandão sobre Maria Grampinho. Parabéns!


  3. Gostei muito das críticas!


  4. Vitor Says:

    Gostei das críticas...um bom incentivo para o crescimento dos alunos da
    UEG


  5. Luanna Says:

    Olá.
    Suas críticas são muito bem vindas. Sou Diretora de arte de "A menina que colecionava Gatos" e agradeço sua atenção quanto ao visual do filme.
    Só quero levantar que nem todos os filmes têm por obrigação apresentar um clímax ou um grande atrativo. No caso deste a intenção é apresentar para um público infantil (para ser mais precisa) o amor e os cuidados de uma criança com seus animais. A análise dele deve ser feita mais profundamente, considerando, inclusive, o público alvo e as motivações que levam uma garotinha de 6 anos a colecionar gatos, como por exemplo a separação dos pais e a solidão. Algumas histórias são apenas para reflexão.


  6. Simone Caetano Says:

    Oi Mayara!
    Agradeço muito suas críticas (pertinentes) e atenção para a I MOSTRA AUDIOVISUAL UEG e para os vídeos exibidos. Espero que nossos realizadores possam aproveitar o melhor possível delas e saibam fazer uma reflexão a partir de quem assiste.

    Abraço,

    Profª Simone Caetano (roteiro/direção/produção - Faculdade de Audiovisual - UEG)


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    Goiânia, Goiás, Brazil
    Jornalista por formação, especialista em Filosofia da Arte. Trabalho em TV, mas sempre ligada ao Jornalismo Cultural, com ênfase em Teatro e Cinema.

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